" Tudo vale no amor e na guerra".
Todos os amantes de qualquer sexo, ficam alertados para o facto de que o amor. além de ser uma bênção, é algo também extremamente perigoso.Imprevisível, capaz de acarretar danos sérios. Consequentemente quem se propõe a amar deve saber que está a expor o seu corpo e a sua alma a vários tipos de ferimentos, e não poderá culpar o seu parceiro em nehum momento, já que o risco é o mesmo para ambos.
Uma vez sendo atingido por uma flecha perdida do arco de Cupido, deve em seguida solicitar ao arqueiro que atire a mesma flecha na direcção contrária, de modo a não se submeter ao ferimento conhecido como " amor não correspondido".Caso o Cupido recuse, retire imediatamente a flecha do seu coração e a deite fora.
Em ferimentos leves, classificados como pequenas traições, paixões fulminantes que não duram muito, desinteresse sexual passageiro, deve aplicar-se com generosidade e rapidez o medicamento chamado Perdão. Uma vez este medicamento aplicado, não se deve voltar atrás uma só vez, e o tema precisa de estar completamente esquecido, jamais deve ser utilizado como argumento numa briga ou num momento de ódio.
Em todos os ferimentos definitivos, também chamados de rupturas, o único medicamento capaz de fazer feito chama-se Tempo. Não adianta procurar consolo em cartomantes, livros românticos, novelas ou coisas do género. deve-se sofrer com intensidade, evitar por completo drogas, calmantes e orações para santos. Álcool só tolerado num máximo de dois copos de vinho por dia.
Os feridos por amor, ao contrário dos feridos em conflitos armados, não são vítimas nem algozes. Escolheram algo que faz parte da vida, e assim devem encarar a agonia e o êxtase da sua escolha.
E os que jamais foram feridos por amor não podem nunca dizer " vivi". Porque não viveram.
Paulo Coelho.

